quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Introdução e Importância Econômica do Milho

Provavelmente, o milho é a mais importante planta comercial com origem nas Américas. Há indicações de que sua origem tenha sido no México, América Central ou Sudoeste dos Estados Unidos. É uma das culturas mais antigas do mundo, havendo provas, através de escavações arqueológicas e geológicas, e através de medições por desintegração radioativa, de que é cultivado há pelo menos 5.000 anos. Logo depois do descobrimento da América, foi levado para a Europa, onde era cultivado em jardins, até que seu valor alimentício tornou-se conhecido. Passou, então, a ser plantado em escala comercial e espalhou-se desde a latitude de 58o norte (União Soviética) até 40o sul (Argentina) (Godoy, 2002; Jugenheimer 1990).
A importância econômica do milho é caracterizada pelas diversas formas de sua utilização, que vai desde a alimentação animal até a indústria de alta tecnologia. Na realidade, o uso do milho em grão como alimentação animal representa a maior parte do consumo desse cereal, isto é, cerca de 70% no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 50% é destinado a esse fim, enquanto que no Brasil varia de 60 a 80%, dependendo da fonte da estimativa e de ano para ano.
Apesar de não ter uma participação muito grande no uso de milho em grão, a alimentação humana, com derivados de milho, constitui fator importante de uso desse cereal em regiões com baixa renda. Em algumas situações, o milho constitui a ração diária de alimentação, por exemplo: no Nordeste do Brasil, o milho é a fonte de energia para muitas pessoas que vivem no semi-árido; outro exemplo está na população mexicana, que tem no milho o ingrediente básico para sua culinária.
Estimativa de consumo de milho em grãos no Brasil
Uso
2001
(1000 t)
(%)
Consumo Animal
26.366
63,5
· Avicultura
13.479
32,4
· Suinocultura
8.587
20,7
· Pecuária
2.772
6,7
· Outros Animais
1.528
3,7
Industrial
4.163
10,0
Consumo Humano
1.505
3,6
Perdas e Sementes
263
0,6
Exportação
5.629
13,6
Outros
3.613
8,7
Total
41.541
Fontes: Abimilho, MB Associados e Safras & Mercado
Associando o consumo humano ao consumo animal, além de se verificar também o crescimento do uso de milho em aplicações industriais, pode-se observar o aumento de sua importância no contexto da produção de cereais na esfera mundial. Nesse sentido, o milho passou a ser o cereal mais produzido no mundo, conforme é retratado na figura abaixo. Esse crescimento acompanhou a demanda por milho para alimentação animal, isto é, enquanto que o trigo é usado basicamente para consumo humano, o milho é mais versátil, principalmente no que diz respeito à alimentação animal, aumentando o leque de aplicações desse cereal.
Embora seja versátil em seu uso, a produção de milho tem acompanhado basicamente o crescimento da produção de suínos e aves, no Brasil e no Mundo. No gráfico abaixo, é retratado o crescimento da produção de milho, suínos e aves no Brasil, em uma série que vai de 1978 até 2001. Nota-se que, apesar das flutuações de sua oferta, há uma tendência de crescimento de sua produção, acompanhando, principalmente, o crescimento da produção de frangos e suínos no país, fato esse relacionado com a demanda por milho, que é um ingrediente importante na composição das rações para esses animais. Na realidade, poder-se-ia pensar nos frangos e suínos como um "subproduto" do milho, dada a importância deste na alimentação daqueles.
Além dos suínos e dos frangos, também fazem parte da demanda por milho para alimentação animal os bovinos e os pequenos animais. Atualmente, a produção de ração para pequenos animais (pet food) tem se constituído em um mercado crescente para o uso desse cereal, dado o crescimento da demanda por alimento de melhor qualidade para esses animais.
Dentro da evolução mundial de produção de milho, o Brasil tem se destacado como terceiro maior produtor, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China. A produção mundial ficou em torno de 590 milhões de toneladas em 2000, enquanto que Estados Unidos, China e Brasil produziram aproximadamente 253 milhões de toneladas, 105 milhões de toneladas e 32,3 milhões de toneladas respectivamente (veja tabela abaixo). Em 2001, o Brasil apresentou a safra recorde de 41,5 milhões de toneladas. Apesar de estar entre os três maiores produtores, o Brasil não se destaca entre os países com maior nível de produtividade. No mapa abaixo, pode-se observar a produtividade dos nove maiores produtores de milho do mundo. Considerando que a produtividade média mundial está pouco acima de 4.000 kg/ha, nota-se que o Brasil está abaixo desta média, porém a produtividade brasileira tem crescido sistematicamente, passando de 1.874 kg/ha, em 1990, para 3.352 kg/ha, em 2001.
Produção de milho no mundo
Brasil
USA
China
Argentina
México
França
Romênia
Índia
Itália
Mundo
Produção (1000 toneladas)
1990
21348
201532
97214
5400
14635
9401
6810
8962
5864
483264
1991
23624
189866
99148
7685
14252
12873
10497
8064
6238
494366
1992
30506
240719
95773
10701
16929
14900
6828
9992
7394
533324
1993
30056
160985
103110
10901
18125
14867
7987
9601
8029
476731
1994
32488
255293
99674
10360
18236
12958
9343
8884
7483
569173
1995
36267
187969
112362
11404
18353
12740
9923
9534
8454
516477
1996
32185
234527
127865
10518
18024
14530
9608
10769
9548
588952
1997
32948
233867
104648
15536
17656
16832
12687
11012
10005
585092
1998
29602
247882
133198
19360
18455
15206
8623
10678
9055
614508
1999
31934
239549
128287
13500
18314
15656
10935
10775
10016
605750
2000
32378
253208
105231
16200
18761
16395
4200
11500
10207
590791
2001
41541
241485
115805
15350
18616
16472
7500
11836
10588
609182
Área (1000 ha)
1990
11394
27095
21483
1560
7339
1562
2467
5904
768
131337
1991
13064
27851
21649
1900
6947
1769
2575
5859
859
134117
1992
13364
29169
21120
2365
7219
1871
3336
5963
854
136997
1993
11870
25468
20771
2503
7428
1848
3066
5995
927
131498
1994
13749
29345
21229
2445
8194
1663
2983
6136
910
138367
1995
13946
26389
22849
2522
8020
1651
3109
6014
942
136216
1996
11934
29398
24571
2604
8051
1734
3277
6300
1023
139378
1997
12562
29409
23837
3410
7406
1858
3038
6309
1039
141216
1998
10586
29376
25281
3186
7877
1799
3129
6083
969
138614
1999
11609
28525
25939
2605
7153
1759
3014
6511
1028
138853
2000
11710
29434
22535
2976
8661
1810
2700
6500
1087
139682
2001
12355
27846
23474
2745
7280
1917
3100
6552
1184
137597
Produtividade (kg/ha)
1990
1874
7438
4525
3461
1994
6019
2761
1518
7638
3680
1991
1808
6817
4580
4044
2052
7277
4077
1376
7262
3686
1992
2283
8253
4535
4524
2345
7964
2047
1676
8660
3893
1993
2532
6321
4964
4355
2440
8045
2605
1602
8664
3625
1994
2363
8700
4695
4237
2226
7792
3132
1448
8225
4114
1995
2601
7123
4918
4522
2288
7717
3192
1585
8970
3792
1996
2697
7978
5204
4040
2239
8382
2932
1709
9336
4226
1997
2623
7952
4390
4556
2384
9059
4176
1746
9627
4143
1998
2796
8438
5269
6077
2343
8453
2756
1755
9346
4433
1999
2760
8398
4946
5182
2560
8901
3628
1655
9744
4363
2000
2736
8603
4670
5444
2166
9058
1556
1769
9386
4230
2001
3352
8672
4933
5592
2557
8593
2419
1807
8942
4427
Fonte: FAO, 2002
Um dos fatores do baixo nível de produtividade, no Brasil, é o grande número de pequenos produtores que cultivam esse cereal. Para se ter uma idéia, segundo os dados do censo agropecuário do IBGE de 1996, 94,3% dos produtores de milho são responsáveis por 30% da produção, usando 45,63% da área destinada ao cultivo desse cereal no país. Por outro lado, 2,4% dos produtores cultivam 43,91% da área e produzem 60,08% do milho colhido no Brasil (veja tabela abaixo). Melhor idéia da participação dos pequenos produtores no processo produtivo é que, aqueles que cultivam menos de um hectare de milho, representam 30,8% dos produtores e colhem apenas 1,89% da produção.
A importância do milho ainda está relacionada ao aspecto social, pois como se viu anteriormente, grande parte dos produtores não é altamente tecnificadas, não possui grandes extensões de terras, mas dependem dessa produção para viver. Isto pode ser constatado pela quantidade de produtores que consomem o milho na propriedade. Segundo os dados do IBGE, cerca de 59,84% dos estabelecimentos que produzem milho consomem a produção na propriedade. Apesar desse alto percentual de estabelecimentos que consomem o grão internamente, estes representam apenas 24,93% da produção nacional de milho. Pode-se, portanto, afirmar que há uma clara dualidade na produção de milho no Brasil. Uma grande parcela de pequenos produtores que não se preocupam com a produção comercial e com altos índices de produtividade, e uma pequena parcela de grandes produtores, com alto índice de produtividade, usando mais terra, mais capital e mais tecnologia na produção de milho.
Produção de milho segundo tamanho de área plantada e número de informantes
Área plantada
Área
Produção
Informantes
em (ha)
(1000 ha)
(%)
(1000 t)
(%)
(X 1000)
(%)
Menos de 10
4842
45,63
7654
30,00
2395
94,3
10 a 20
1110
10,46
2531
9,92
84
3,3
20 a 100
1951
18,38
5544
21,73
51
2,0
Acima de 1000
2709
25,53
9783
38,35
10
0,4
Total
10612
25512
2540
Fonte: IBGE, Censo agropecuário de 1995/1996
No que diz respeito ao emprego de mão-de-obra, cerca de 14,5% das pessoas ocupadas nas lavouras temporárias e cerca de 5,5% dos trabalhadores do setor agrícola estão ligados à produção de milho. No setor agropecuário, a produção de milho só perde para a pecuária bovina em termos de utilização de mão-de-obra, apesar de as tecnologias modernas utilizadas na produção desse cereal serem poupadoras de mão-de-obra.
Segundo dados do IBGE, a produção de milho no Brasil, representou apenas 0,5% do produto interno bruto (PIB), porém, esses dados estão apenas retratando a produção do milho em grão, não sendo considerados os milhos especiais e cultivos especiais, como é o caso da produção para silagem, nem computando o efeito multiplicador dessa produção quando usado na alimentação de aves e suínos, produtos estes de alto valor agregado e de grande aceitação no mercado internacional.
Como pode-se notar, a importância do milho não está apenas na produção de uma cultura anual, mas em todo o relacionamento que essa cultura tem na produção agropecuária brasileira, tanto no que diz respeito a fatores econômicos quanto a fatores sociais. Pela sua versatilidade de uso, pelos desdobramentos de produção animal e pelo aspecto social, o milho é um dos mais importantes produtos do setor agrícola no Brasil.

Relaçao entre a Produçao de beterraba

Relação entre produção de beterraba, Beta vulgaris var. conditiva, e
diferentes métodos de plantio
Andrea Carla Skraba Horta*, Humberto Silva Santos, Carlos Alberto Scapim e Osni
Callegari
Programa de Pós-graduação em Agronomia, Departamento de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo,
5790, 87020-900, Maringá, Paraná, Brasil.* Author for correspondence.
RESUMO. Foram estudados métodos de plantio na cultura da beterraba, Beta vulgaris var.
conditiva (Chenopodiaceae) e o tipo de bandeja mais apropriado para a produção de mudas.
Instalou-se um experimento para a avaliação das características de crescimento das mudas e
para a avaliação das características de produção, onde os tratamentos foram: semeadura
direta, mudas de raiz nua e mudas de bandejas de 128, 200 e 288 células. Constatou-se que
as células com os menores volumes de substrato proporcionaram desempenho inferior em
relação ao número de folhas e ao peso da matéria seca da parte aérea, mas não se observou
efeito no desenvolvimento radicular. Na fase de campo, quando todos os tratamentos foram
colhidos na mesma data, a semeadura direta apresentou maior produção total e comercial.
Mas, quando o ciclo foi prolongado até que as plantas de cada tratamento atingissem o
ponto de colheita estabelecido, as diferenças de produção comercial entre os tratamentos
deixaram de existir.
Palavras-chave: Beta vulgaris var. conditiva, métodos de plantio, produção de mudas.
ABSTRACT. Relationship between beet-root production, Beta vulgaris var.
conditiva, and different planting methods. Beet root planting methods and the most
appropriated type of trays for the production of beet-root seedlings, Beta vulgaris var.
conditiva (Chenopodiaceae) are analyzed. Experiment evaluated characteristics of seedling
growth and production. Treatments consisted of direct sowing, bare-root seedlings and
seedlings grown on 128, 200 and 288-cell trays. Cells with the smallest substratum volumes
showed an inferior performance in number of leaves and dry matter weight of the seedlings'
aerial part. However, no effect of the substratum volume was reported in the root
development. When all treatments were harvested at the same date, direct sowing resulted
in larger total and commercial production. However, when the cycle was prolonged until
the plants of each treatment had reached the established harvesting point, differences
between the treatments of commercial production no longer existed.
Key words: Beta vulgaris var. conditiva, planting methods, seedling system.
A beterraba é uma das principais hortaliças
cultivada no Brasil, ocupando a 13ª posição quanto
ao volume de produção. Apesar de ser hortaliça
típica de climas temperados, produzindo melhor sob
temperaturas amenas ou frias, pode ser cultivada,
praticamente, o ano todo no Estado do Paraná
(Morimoto, 1999).
Tradicionalmente, a beterraba é explorada por
produtores em áreas próximas de grandes centros e
caracteriza-se, sobretudo, pelo cultivo intensivo,
sendo que a condução da cultura, muitas vezes, é
feita de forma empírica e com práticas culturais
largamente dependentes de mão-de-obra. Mas, a
crescente evolução da produção e a especialização
dos olericultores para atender mercado cada vez mais
exigente, têm demandado tecnologias de produção
que permitam melhor qualidade, quantidade e
regularidade na entrega do produto.
Normalmente, a beterraba é cultivada pelo
sistema de semeadura direta, embora, por ser a única
tuberosa que permite o transplante, o
estabelecimento pode ser realizado também pelo
plantio de mudas (Filgueira, 1982; Ferreira e Tivelli,
1989). No sistema de semeadura direta, apesar da
precocidade da produção, ocorrem problemas
relacionados com a desuniformidade de germinação
e do crescimento das plantas, bem como
comprometimento do estande final (Minami, 1995).
Já, no sistema de mudas de raiz nua, o principal
inconveniente tem sido o choque de transplante que,
1124 Horta et al.
Acta Scientiarum Maringá, v. 23, n. 5, p. 1123-1129, 2001
dependendo da intensidade, pode causar morte ou
desuniformidade de plantas e prolongamento do
ciclo da cultura (McKee, 1981).
A produção de mudas em bandejas
multicelulares de poliestireno expandido apresentase
como alternativa de estabelecimento da cultura
sem as desvantagens dos dois sistemas anteriores.
Este sistema eleva o rendimento operacional, na
execução de todas as tarefas; reduz a quantidade
necessária de semente, graças à melhor germinação
obtida; melhora a qualidade da muda, pelo equilíbrio
entre a parte aérea e o sistema radicular; aumenta a
eficiência na produção de mudas, pela racionalização
do uso do espaço e do tempo; facilita o manuseio das
mudas no campo e aumenta a rapidez no
desenvolvimento da planta (Filgueira, 2000). E
ainda, devido as facilidades de enchimento,
manuseio e transporte, além da possibilidade do
transplante mecânico, tem apresentado aceitação
crescente por parte dos olericultores (Santos, 1997).
Entretanto, os critérios utilizados até hoje para a
adoção de um dos métodos de plantio necessitam ser
estudados, devido à existência de poucos resultados
comparativos entre eles e nem sempre conclusivos,
predominando as conveniências práticas e
econômicas para a escolha de um dos métodos.
Além disso, a produção de mudas de hortaliças em
bandejas tem se baseado em pesquisas realizadas em
outros países, em divulgações de fabricantes e em
experiências acumuladas por olericultores (Santos,
1995). Todavia, o sucesso dessa tecnologia depende
de uma série de fatores, como a utilização de
bandejas com dimensões adequadas, do ponto de
vista técnico, econômico e operacional.
Neste sentido, o volume da célula da bandeja é
característica que pode influenciar na obtenção de
boas mudas e, conseqüentemente, no desempenho
da planta na área definitiva de produção. Deve-se
considerar na definição do tamanho da bandeja a ser
utilizada que, variando o tamanho do recipiente,
pode-se alterar o volume de enraizamento das
plantas, o qual pode afetar o crescimento da parte
aérea (Leskovar, 1998). Portanto, para a produção de
mudas com qualidade, torna-se necessária a
utilização de bandejas que permitam a otimização do
fornecimento de água, radiação e nutrientes até a
muda atingir o tamanho adequado para o
transplante.
Bandejas com menor número de células
proporcionam, geralmente, melhor crescimento das
mudas, pelo fato da exaustão dos nutrientes do
substrato e da limitação do espaço para o
crescimento radicular e da parte aérea ocorrerem
mais lentamente, porém, exigem maiores gastos com
substrato, defensivos, irrigações e espaço no viveiro,
quando comparadas com bandejas de maior número
de células (Pereira e Martinez, 1999). Entretanto,
algumas culturas como brócoli, couve-flor e
pimentão não apresentaram diferença significativa
no rendimento da muda quando formadas em
recipientes menores (NeSmith e Duval, 1998), o
que possibilita, portanto, a utilização de bandejas
com maior número de células, cuja capacidade em
termos de substrato é menor e em termos
econômicos para o produtor, mais vantajosa.
Objetivou-se, nesse trabalho, estudar os métodos
de plantio na produção de beterraba Beta vulgaris var.
conditiva (Chenopodiaceae) cultivar Tall Top Early
Wonder, e no caso específico do método de plantio
por transplante de mudas formadas em bandejas,
avaliar o tipo de bandeja mais apropriado para a
produção de mudas de beterraba.
Material e métodos
O experimento foi conduzido na horta do setor
de Olericultura da Universidade Estadual de
Maringá, em Maringá, Estado do Paraná, durante o
período de fevereiro a maio de 1999. O solo da área,
classificado como Terra Roxa estruturada, classe
textural argila, apresentava as seguintes
características: pH em H2O igual a 6,20; 20,14 g/dm3
de C; 207,00 mg/dm3 de P; 3,90; 8,71; 2,96 e 0,66
cmolc/dm3 de H+AL+++, Ca++, Mg++ e K+,
respectivamente.
Os canteiros e a sementeira foram preparados
manualmente e adubados com 40 t/ha de composto
orgânico comercial Incoa. Devido aos elevados
níveis dos nutrientes no solo, não foi necessário
utilizar corretivos e adubos químicos de plantio. No
dia 24 de fevereiro de 1999, feita a semeadura da
cultivar Top Tall Early Wonder nas unidades
experimentais dos canteiros cujo tratamento
correspondia à semeadura direta. O desbaste nos
canteiros foi feito após 20 dias, quando as plantas
apresentavam, em média, de 5 a 6 folhas. A
sementeira foi instalada na mesma data, sendo as
mudas de raiz nua transplantadas para os canteiros
definitivos aos 24 dias após a semeadura.
As bandejas multicelulares de 288, 200 e 128
células foram preenchidas com substrato comercial
Plantmax-HT, semeadas e colocadas sob abrigo,
também no dia 24 de fevereiro de 1999.
Posteriormente, foi feito o desbaste deixando-se
uma planta por célula. Para o controle de vaquinha
(Diabrotica speciosa) e de fungos causadores de
tombamento das mudas, foram necessárias
aplicações de Deltamethrine e Tebuconazole,
respectivamente. Além disso, as mudas receberam
Relação entre produção de beterraba e diferentes métodos de plantio 1125
Acta Scientiarum Maringá, v. 23, n. 5, p. 1123-1129, 2001
adubações foliares com o produto comercial Yogen
nº 3, a cada quatro dias, até a data do transplante, o
que ocorreu 30 dias após a semeadura.
Após o transplante para os canteiros definitivos,
as mudas receberam os mesmos tratos culturais que
os demais tratamentos, ou seja, irrigações por
aspersão, de acordo com a necessidade da cultura;
capinas e catações manuais para o controle de plantas
daninhas, de maneira a manter a cultura livre da
interferência até a colheita; aplicações de
Deltamethrine e de Tebuconazole e adubações
foliares com o produto comercial Yogen nº 3
durante todo o ciclo da cultura e adubações de
cobertura com uréia, de modo a fornecer por vez 20
kg de N/ha, com intervalo semanal, durante sete
semanas consecutivas.
Por ocasião do transplante, foram feitas
avaliações das características de crescimento das
mudas: comprimento da folha maior, número de
folhas definitivas, peso da matéria seca da parte aérea
e das raízes. Adotou-se o delineamento experimental
inteiramente casualizado, com 10 plantas por
repetição e quatro repetições, onde foram avaliados
os tratamentos: mudas de raiz nua, mudas formadas
em bandejas de 288 células, em bandejas de 200
células e em bandejas de 128 células. Os dados
foram submetidos à análise de variância e,
posteriormente, ao teste de Tukey, em nível de 5%
de probabilidade.
Para avaliar as características de produção,
utilizou-se o delineamento de blocos casualizados,
com quatro repetições e os seguintes tratamentos:
semeadura direta, transplante de mudas de raiz nua,
transplante de mudas formadas em bandejas de 128
células (54,3 cm3), em bandejas de 200 células (27,3
cm3) e em bandejas de 288 células (18,8 cm3). As
unidades experimentais apresentavam dimensões de
1,2 m x 2,0 m, com espaçamento de 0,10 m entre
plantas por 0,25 m entre linhas, sendo a parcela útil
constituída por 60 plantas.
Estabeleceu-se como ponto de colheita quando
90% das plantas dentro da parcela útil apresentavam
diâmetro de raiz tuberosa superior a 5 cm. Então,
foram feitas duas avaliações distintas das
características de produção. A primeira avaliação foi
realizada no dia 14 de maio de 1999, quando o
tratamento semeadura direta se encontrava no ponto
de colheita. Nesta ocasião, também foram colhidos
os demais tratamentos. A segunda avaliação foi
realizada quando, após amostragem, cada parcela
encontrava-se no ponto de colheita estabelecido, o
que ocorreu em diferentes datas (21, 25 e 28 de maio
de 1999).
As características de produção avaliadas foram
estande, ciclo vegetativo, produção total e produção
comercial. Para a classificação das plantas, quanto ao
diâmetro de raiz, as raízes tuberosas foram
submetidas à estratificação de acordo com o seu
diâmetro transversal, à contagem e à pesagem por
classe de diâmetro. As classes de raízes
comercializáveis de beterraba foram: Extra (4,0 a
menos de 5,0 cm); Extra A (5,0 a menos de 6,0 cm);
Extra AA (6,0 a menos de 7,0 cm) e Graúda (maior
que 7,0 cm). Então, os dados referentes a cada uma
das características, tanto da primeira avaliação quanto
da segunda, foram submetidos à análise de variância.
Em seguida, as médias das características de cada
avaliação, distintamente, foram comparadas por
meio do teste de Tukey, em nível de 5% de
probabilidade. Para a classe graúda, nas duas
avaliações, foi feita uma análise descritiva.
Posteriormente, foi realizada análise com as duas
avaliações, utilizando-se para isso modelo
hierárquico, onde foram estudados oito tratamentos,
sendo quatro métodos de plantio (transplante de
mudas de raiz nua, transplante de mudas formadas
em bandejas de 288, 200 e 128 células), e duas
épocas de avaliação (avaliações diferentes para cada
método de plantio). Tais dados foram submetidos à
análise de variância e, em seguida, as médias de cada
variável foram comparadas por meio do teste F, em
nível de 5% de probabilidade.
Procedeu-se ainda, ao estudo de correlações de
Pearson entre as características avaliadas na fase de
produção de muda e as características de produção,
tanto da primeira como da segunda avaliação.
Resultados e discussão
O crescimento da parte aérea das mudas de raiz
nua, com exceção para a característica número de
folhas, mostrou-se superior em relação ao
crescimento das mudas produzidas em bandejas,
provavelmente, devido à maior disponibilidade dos
fatores de crescimento na sementeira, apesar da
maior competição entre as plantas, em razão da
maior densidade de mudas por área (Tabela 1). De
acordo com Bunt (1976) citado por Minami (1995),
quando as plantas estão se desenvolvendo em
recipientes, as raízes estão mais restritas a volume
pequeno de substrato, portanto, a demanda por água,
ar e nutrientes é maior do que daquelas que se
desenvolvem em volume de substrato não restritivo.
Além disso, os nutrientes presentes no substrato são
mais facilmente lixiviados, em decorrência da
drenagem em excesso de água de irrigação e, se não
há suplementação mineral satisfatória, o crescimento
das mudas pode ser afetado.
1126 Horta et al.
Acta Scientiarum Maringá, v. 23, n. 5, p. 1123-1129, 2001
Entre as bandejas, observou-se que aquelas de
menor volume de substrato apresentaram
desempenho inferior em relação às características
número de folhas e peso da matéria seca da parte
aérea, provavelmente, devido à exaustão mais rápida
dos nutrientes e à mais precoce limitação do espaço
para crescimento da parte aérea, favorecendo a
competição por radiação. De acordo com Bremner et
al. (1967), a competição por radiação varia em
função da distância entre as plantas produzidas em
recipientes, sendo que os espaçamentos mais
adensados proporcionaram, para a cultura da
beterraba, reduções de até 10% na taxa de
crescimento das plantas. Portanto, o resultado de
maior crescimento da parte aérea das mudas
produzidas em células com maior volume de
substrato foi similar aos obtidos para a cultura do
tomate, da berinjela, da melancia, do melão e do
pepino (Weston e Zandstra, 1986; Barnabé et al.,
1994; Liu e Latimer, 1995; Maynard et al., 1996;
Tavares et al., 1997).
Tabela 1. Comprimento da folha maior, número de folhas e peso
da matéria seca de parte aérea e de raiz de mudas de beterraba.
Maringá, Estado do Paraná, 1999
Características
Tratamentos
Comprimento
da folha maior
(cm)
Número de
folhas/planta
Peso da
matéria seca de
parte aérea
(g/parcela)
Peso da
matéria seca de
raiz (g/parcela)
Mudas de raiz nua 21,47 a 4,32 b 3,56 a -
Mudas de bandeja
de 128 células 9,75 b 4,80 a 2,00 b 0,28 a
Mudas de bandeja
de 200 células 9,17 b 4,32 b 1,20 c 0,28 a
Mudas de bandeja
de 288 células 9,39 b 4,27 b 1,03 c 0,26 a
CV (%) 4,83 4,97 14,26 22,00
Médias seguidas de mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey, em nível de 5% de probabilidade
Segundo Leskovar (1998), variando-se o
tamanho do recipiente, altera-se o volume de
enraizamento das plantas, o qual afeta o crescimento
da parte aérea. Entretanto, não foi observada uma
relação positiva entre o volume do sistema radicular
e o desenvolvimento da parte aérea. Em todos os
tamanhos de célula, o peso da matéria seca das raízes
foi igual. Portanto, o desenvolvimento das raízes de
beterraba não foi restrito ao menor volume de célula
(Tabela 1).
As mudas produzidas em bandejas garantiram
maior estande da cultura em relação aos demais
tratamentos tanto na primeira como na segunda
avaliação (Tabela 2). Na semeadura direta,
justamente devido à maior dificuldade na execução
dos tratos culturais na fase inicial da cultura,
principalmente do controle de pragas e doenças e à
maior desuniformidade no crescimento e tamanho
das plantas, verificou-se que o número de mortes de
plantas foi maior, o que afetou o estande final. Além
disso, de acordo com Harriot (1970), a ocorrência de
fatores adversos como plântulas pouco vigorosas,
formação de crosta na superfície do solo e falta de
uniformidade do leito de semeadura também podem
interferir no estande final.
A desuniformidade das plantas, no entanto, não é
exclusividade da semeadura direta; ela pode ocorrer
também com o transplante de mudas de raiz nua e,
segundo McKee (1981), nesse caso, ocorre em
função do nível de injúria provocado no sistema
radicular, de condições fisiológicas da planta e de
variações na intensidade e na duração do choque de
transplante. Foi possível verificar que, nas duas
avaliações de produção, o transplante de mudas de
raiz nua também proporcionou menores estandes
quando comparado com o transplante de mudas
formadas em bandejas (Tabela 2), o que pode ser
atribuído ao maior choque de transplante.
Como a intensidade dos danos desse choque está
relacionada, de acordo com Jones e Shoemaker
(1952), com a proporção do sistema radicular retido
durante o transplante, com a efetividade desse
sistema em absorver água durante os primeiros dias
após o transplante e com a taxa de emissão de novas
raízes, torna-se possível compreender porque as
mudas de raiz nua são mais afetadas do que as mudas
com a presença de torrão. Geralmente, aquelas
plantas apresentam sistema radicular mais
superficial, com menor quantidade de raízes laterais
e maior exigência em irrigações freqüentes, o que
mostra a sua maior susceptibilidade ao déficit
hídrico. Além disso, o arranquio das mudas da
sementeira e o maior manuseio delas, por ocasião do
transplante, causam injúrias que facilitam o ataque
de pragas e doenças.
Tabela 2. Estande (número de plantas/parcela), na primeira e na
segunda avaliação de produção de beterraba em função de
diferentes métodos de plantio. Maringá, Estado do Paraná, 1999
Estande
Tratamentos
Primeira
avaliação
Segunda
avaliação
Semeadura direta 54,25 b 52,75 b
Transplante de mudas de raiz nua 51,75 b 54,75 b
Transplante de mudas de bandeja de 288 células 59,50 a 60,00 a
Transplante de mudas de bandeja de 200 células 59.75 a 60,00 a
Transplante de mudas de bandeja de 128 células 60,00 a 59,50 a
CV (%) 2,16 2,98
Médias seguidas de mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey, em nível de 5% de probabilidade
A beterraba semeada diretamente atingiu o ponto
de colheita estabelecido, ou seja, quando 90% das
plantas da parcela útil apresentavam raízes com
Relação entre produção de beterraba e diferentes métodos de plantio 1127
Acta Scientiarum Maringá, v. 23, n. 5, p. 1123-1129, 2001
diâmetro superior a 5,0 cm, aos 80 dias após a
semeadura. Então, todos os tratamentos foram
colhidos nessa ocasião para a primeira avaliação.
Portanto, o ciclo foi idêntico para todos os
tratamentos, não sendo necessária a análise estatística
para essa característica. Na segunda avaliação, a
colheita foi realizada somente quando cada parcela
de cada tratamento se encontrava no ponto de
colheita estabelecido. Isto ocorreu em datas
diferentes, o que, de acordo com McKee (1981), se
deve às conseqüências do choque de transplante das
mudas de raiz nua, e segundo Pereira e Martinez
(1999), às limitações dos fatores de crescimento para
as mudas produzidas em bandejas.
De acordo com Ferreira e Tivelli (1989), o ciclo
da cultura da beterraba pode prolongar-se por mais
20-30 dias, quando a cultura é estabelecida por meio
de transplante. Os resultados obtidos (Tabela 3)
concordam com os autores em relação ao
prolongamento do ciclo, mas, nesse caso, a diferença
entre o ciclo das plantas semeadas diretamente e das
transplantadas foi, no máximo, de 13 dias, sendo que
o transplante de mudas formadas em bandejas com
menor volume de célula, ou seja, bandejas de 288
células, foi o que proporcionou o maior ciclo,
provavelmente, devido ao menor crescimento da
parte aérea, observado para esse tamanho de célula
na fase de muda.
Tabela 3. Ciclo da cultura da beterraba (número de dias), na
segunda avaliação de produção em função de diferentes métodos
de plantio. Maringá, Estado do Paraná, 1999
Ciclo
Tratamentos Segunda avaliação
Semeadura direta 80,00 c
Transplante de mudas de raiz nua 87,00 b
Transplante de mudas de bandeja de 288 células 93,25 a
Transplante de mudas de bandeja de 200 células 89,00 b
Transplante de mudas de bandeja de 128 células 89,00 b
CV (%) 1,83
Médias seguidas de mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey, em nível de 5% de probabilidade
Entretanto, o ciclo da cultura da beterraba
transplantada de células menores pode se apresentar
mais precoce quando realizada suplementação na
fase de muda, sendo que a utilização de bandejas
com maior número de células possibilita, ainda,
menores gastos com bandejas, substratos, insumos e
espaço no viveiro. A maior precocidade também
implica no uso mais intenso do solo, através do
maior número de ciclos e, conseqüentemente,
proporciona maior produtividade por área de
cultivo.
Apesar de o sistema de transplante de mudas
produzidas em bandejas ter proporcionado melhores
estandes, esse fato não refletiu positivamente na
produção total destes tratamentos, quando
comparados com a semeadura direta, nas duas
avaliações de produção. Quando o ciclo foi
prolongado, apenas o transplante de mudas de raiz
nua mostrou-se semelhante à semeadura direta, em
relação à essa característica (Tabela 4). Este resultado
foi obtido, provavelmente, devido à maior limitação
nutricional das mudas formadas em bandejas.
Tabela 4. Produção total e comercial de beterraba (t/ha), na
primeira e na segunda avaliação de produção em função de
diferentes métodos de plantio. Maringá, Estado do Paraná, 1999
Produção total Produção
comercial
Tratamentos Primeira
avaliação
Segunda
avaliação
Primeira
avaliação
Segunda
avaliação
Semeadura direta 29,14 a 28,83 a 26,26 a 26,87 a
Transplante de mudas de raiz nua 22,23 b 23,78 ab 21,26 ab 22,40 a
Transplante de mudas de bandeja-
128 células 19,99 bc 22,36 b 18,52 b 20,90 a
Transplante de mudas de bandeja-
200 células 16,82 c 21,54 b 15,40 b 20,82 a
Transplante de mudas de bandeja-
288 células 17,17 bc 22,28 b 15,16 b 22,03 a
CV(%) 11,01 7,23 16,16 12,68
Médias seguidas de mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey, em nível de 5% de probabilidade
Em relação à produção comercial, verificou-se,
na primeira avaliação, que a produção comercial do
tratamento semeadura direta foi maior quando
comparada com a dos tratamentos de transplante de
mudas produzidas em bandejas (Tabela 4). Nesse
caso, houve redução da produção comercial em
relação à produção total de 10,0%, 4,4%, 11,7%,
8,4% e 7,4% na semeadura direta, transplante de
mudas de raiz nua, transplante de mudas de bandejas
de 288, 200 e 128 células, respectivamente. Tais
resultados podem ser atribuídos à maior
desuniformidade de crescimento das plantas
semeadas diretamente e colheita das plantas
transplantadas fora do ponto de colheita, o que
proporcionou maior quantidade de raízes com
diâmetro inferior a 4,0 cm.
Mas, quando todos os tratamentos foram
colhidos no ponto de colheita estabelecido, ou seja,
na segunda avaliação, essa redução passou a ser de
5,8%, 6,2%, 3,3% e 1,5%, no transplante de mudas
de raiz nua, no transplante de mudas de bandeja de
288, 200 e 128 células, respectivamente, sendo que
não houve diferença significativa entre todos os
tratamentos quanto à produção comercial (Tabela
4).
Em relação à classificação das raízes, observou-se
que, na primeira avaliação, as menores produções de
raízes, na classe Extra AA, foram obtidas para as
plantas provenientes do transplante de mudas de
bandejas com os menores volumes de células
1128 Horta et al.
Acta Scientiarum Maringá, v. 23, n. 5, p. 1123-1129, 2001
(Tabela 5). Para a classe Extra A, não houve
diferença estatística entre os tratamentos e para a
classe Extra, verificou-se maior quantidade de raízes
nos tratamentos de transplante de mudas produzidas
em bandejas de 200 e 128 células em relação à
semeadura direta. Este predomínio, nas classes de
menor tamanho, influenciou negativamente a
produção. Uma correlação positiva (r= 0,53 ) foi
observada entre a classe Extra AA e o peso da matéria
seca da parte aérea das mudas, indicando que o
transplante de mudas maiores está associado com a
produção de raízes tuberosas maiores.
Entretanto, quando se deixou prolongar o ciclo,
compensando o atraso inerente ao método de
transplante, na segunda avaliação de produção, a
produção de raízes de classes Extra, Extra A e Extra
AA foi semelhante (Tabela 5). Na classe Graúda, na
primeira avaliação, os tratamentos semeadura direta
e transplante de mudas de raiz nua foram os que
proporcionaram as maiores produções. Entre os
tratamentos de transplante de mudas produzidas em
bandejas, a com o maior volume de célula
apresentou a maior produção de raízes. Na segunda
avaliação, a produção de raízes desta classe também
foi maior para os tratamentos semeadura direta e
transplante de mudas de raiz nua. Porém, a diferença
de produção entre os tratamentos de transplante de
mudas de bandeja foi bastante pequena.
Tabela 5. Classificação de raízes comercializáveis de beterraba
(t/ha), na primeira e na segunda avaliação de produção em função
de diferentes métodos de plantio. Maringá, Estado do Paraná,
1999
Classificação
Tratamentos Primeira avaliação Segunda avaliação
Extra Extra A Extra
AA Extra Extra A Extra
AA
Semeadura direta 2,33 b 5,08 a 8,89 a 2,36 a 4,74 a 9,29 a
Transplante de mudas -
raiz nua 3,04 a b 5,14 a 6,47 a b 2,95 a 5,71 a 6,17 a
Transplante de mudas -
bandeja 288 células
4,10 a b 5,71 a 3,99 b 2,45 a 6,61 a 8,59 a
Transplante de mudas -
bandeja 200 células
4,68 a 7,07 a 4,03 b 2,91 a 5,78 a 8,71 a
Transplante de mudas -
bandeja 128 células
4,94 a 6,74 a 5,30 b 3,25 a 6,17 a 9,12 a
CV (%) 25,86 23,92 28,03 33,97 22,36 20,36
Médias seguidas de mesma letra, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de
Tukey, em nível de 5% de probabilidade
Verificou-se que, quando o ciclo foi prolongado
até que as plantas de cada tratamento atingissem o
ponto de colheita determinado, as diferenças de
produção deixaram de existir. Isto se deveu ao ganho
de produção possibilitado pelo atraso compensatório
na colheita, o que foi evidenciado pela comparação
de cada uma das características nas duas épocas de
avaliação (Tabela 6).
A produção de mudas em bandejas
multicelulares mostrou-se como alternativa viável
para o estabelecimento da cultura da beterraba.
Nesse sistema, verificou-se que o estabelecimento
da cultura com espaçamento ou população prédeterminada
de plantas, com mudas de tamanho
selecionado e uniforme, com menos problemas
fitossanitários devido ao menor manuseio das mudas
e à ausência de pragas e patógenos no substrato,
menor choque de transplante pela presença de
substrato, e menor competição com plantas
daninhas, garantiu os melhores estandes.
Tabela 6. Estande (número de plantas/parcela), ciclo (número de
dias), produção total e comercial (t/ha), na primeira e na segunda
avaliação de produção em função de diferentes métodos de
plantio. Maringá, Estado do Paraná, 1999
Tratamentos
Transplante de mudas
Características Avaliação Raiz nua Bandeja
288 células
Bandeja
200 células
Bandeja
128 células
Estande Primeira avaliação 51,75 b 59,50 a 59,75 a 60,00 a
Segunda avaliação 54,75 a 60,00 a 60,00 a 59,50 a
Ciclo Primeira avaliação 80,00 b 80,00 b 80,00 b 80,00 b
Segunda avaliação 87,00 a 93,25 a 89,00 a 89,00 a
Produção Primeira avaliação 22,23 a 17,17 b 16,82 b 19,99 b
Total Segunda avaliação 23,78 a 22,28 a 21,54 a 22,36 a
Produção Primeira avaliação 21,26 a 15,16 b 15,40 b 18,52 b
Comercial Segunda avaliação 22,40 a 20,90 a 20,82 a 22,03 a
Médias seguidas de mesma letra, na coluna, por característica, não diferem entre si, em
nível de 5% de probabilidade pelo teste F
Além disso, o sistema de bandejas multicelulares
apresenta a vantagem de aumentar o número de
plantas por unidade de área do viveiro,
principalmente com a possibilidade de utilização de
bandejas com maior número de células, como foi
mostrado neste trabalho, reduzindo, assim, o custo
de produção de mudas. E ainda, como as culturas
estabelecidas através do plantio por mudas ficam
menos tempo no campo, o uso mais intenso do solo
possibilita a obtenção de maior número de ciclos e,
consequentemente, maior produtividade por área e
por ano.
Portanto, estes resultados permitem concluir que
todos os métodos de plantio avaliados resultam em
produção comercial semelhante, desde que haja
compensação de possíveis atrasos na colheita,
inerentes ao processo de transplante. E, como não
houve diferença de produção entre os tipos de
bandejas avaliadas, o critério de escolha, baseado na
conveniência e economicidade, é adequado.
Referências
BARNABÉ, J. et al. Influência de três tipos de bandejas
para a produção de mudas de berinjela. In: CONGRESSO
BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 34, 1994, Águas
Relação entre produção de beterraba e diferentes métodos de plantio 1129
Acta Scientiarum Maringá, v. 23, n. 5, p. 1123-1129, 2001

Sistema de Produção de Cebola (Allium cepa L)

Colheita e Manuseio Pós-Colheita

Celso Luiz Moretti

Características e critérios de qualidade
Cebolas de alta qualidade devem possuir bulbos firmes e catáfilos compactos. O tamanho, cor e formato do bulbo são variáveis e dependentes de fatores genéticos, climáticos e edáficos, dentre outros. Os bulbos devem ser livres de danos mecânicos, danos causados por insetos ou doenças, desordens fisiológicas como aspecto aguado, esverdeamento dos catáfilos externos, brotamento, “pescoço de garrafa” (cebolas com engrossamento anormal do pescoço e bulbos pouco desenvolvidos), dentre outros.
Maturidade hortícola
A maturidade hortícola da planta de cebola é determinada pelo amolecimento da região inferior do pseudocaule, também conhecido como “pescoço”, e pelo tombamento da parte aérea da planta sobre o solo, evento conhecido como “estalo”. Recomenda-se que a colheita da cebola seja feita quando 40 a 70% das folhas estejam amarelecidas ou secas, o que é normalmente acompanhado por uma percentagem maior de folhas que sofrem tombamento. Para bulbos destinados ao armazenamento prolongado recomenda-se que a colheita seja feita quando 50 a 80% das plantas já tiverem estaladas e os bulbos estiverem maduros e com o pescoço fino. As produtividades são maiores quando as plantas são colhidas com as folhas totalmente secas. Todavia, a vida de prateleira das cebolas tende a ser menor.
A colheita feita precocemente pode resultar em redução significativa do tamanho dos bulbos bem como maior perda de matéria fresca e antecipação do brotamento no período de armazenamento.
Cura
A cura é um processo extremamente importante na manutenção da qualidade pós-colheita das cebolas. Tem como principal função remover o excesso de umidade das camadas mais externas dos bulbos e das raízes antes do armazenamento. A formação de uma camada de catáfilos secos ao redor do bulbo em decorrência da cura bem feita promove uma barreira eficiente contra a perda de água e infecção microbiana. A cura também reduz a ocorrência de brotação e permite à hortaliça amadurecer antes de ser consumida fresca ou antes de armazenamento prolongado.
Para cura, após a colheita, os bulbos são dispostos lateralmente sobre os canteiros e ficam nestas condições por 3 a 4 dias considerando-se uma região com clima quente e seco. É importante reduzir a incidência direta de luz solar sobre os bulbos, o que pode ocasionar o aparecimento de manchas esbranquiçadas nos bulbos, típicas de queimadura por sol. Recomenda-se que os bulbos sejam protegidos pela parte aérea da planta vizinha e assim por diante. Em regiões úmidas, a cura das cebolas pode demorar um pouco mais e, em algumas situações, maior incidência de podridões pode ocorrer durante o armazenamento prolongado. Quando feita no campo, a cura ocorre de maneira mais satisfatória quando prevalecem temperaturas o redor de 24°C e umidade relativa variando de 75 a 80%, o que garante o desenvolvimento satisfatório da coloração da casca. Terminada a cura a campo, o bulbos devem ser transferidos para um local sombreado, sem incidência de luz solar direta, com temperatura entre 25 e 30°C e umidade relativa variando entre 70 e 75%. Nestas condições, a cura é finalizada após 10 a 15 dias.
Quando se optar por realizar a cura em locais cobertos como galpões, as cebolas podem ser agrupadas em réstias que serão penduradas em ganchos. Nestas condições, a cura ocorrerá em intervalo de tempo similar ao do campo. Ainda neste caso, os bulbos podem ser curados com a aplicação de ar aquecido, que é insuflado através das réstias de cebola, contribuindo para uma secagem mais rápida das camadas mais externas. A temperatura recomendada do ar é de 30 a 40°C e a umidade relativa deve ficar ao redor dos 30%, o que possibilita a cura entre 7 e 10 dias, que é considerada completa quando o pescoço do bulbo estiver seco. O controle de umidade durante esta etapa é crucial, pois em locais onde a umidade é elevada existe risco de maior ocorrência de doenças fúngicas. Por outro lado, em locais onde a umidade relativa é baixa (abaixo de 60%), perda excessiva de água e rachadura das camadas mais externas do bulbo podem ocorrer.
O processo de cura reduz a massa do bulbo e uma vez que a cebola é vendida por peso, atingir o ponto ideal de cura é um processo crítico. Perdas de peso da ordem de 3 a 5% são normais sob condições ambiente, enquanto que perdas de até 10% podem ocorrer no caso da cura ser feita artificialmente. A parte do bulbo que ficou em contato direto com o solo pode desenvolver manchas amarronzadas, as quais diminuem a qualidade final do bulbo. Obviamente, o processo de cura a campo depende das condições climáticas da região e, portanto, não se aconselha que seja o método escolhido no caso de grandes quantidades de cebola.
Condições ótimas de armazenamento
Cebolas com pungência alta podem ser armazenadas por períodos variando entre seis e nove meses a temperatura de 0°C e umidade relativa de 65 a 75%. Umidades relativas altas induzem o crescimento radicular, enquanto temperaturas altas induzem o brotamento. A combinação de altas temperatura e umidade relativa contribuem para o aumento de podridões e redução da qualidade.
Cebolas com pungência baixa ou suaves/doces podem ser armazenadas por um a três meses. Os bulbos devem ser armazenados em câmaras frias que, de preferência, possuam boa circulação de ar. De maneira geral, cebolas produzidas a partir de sementes têm maior vida de prateleira quando comparadas com cebolas obtidas a partir de transplante. A vida útil da cebola é dependente da cultivar. No Brasil, cebolas do grupo Baia Periforme, que possuem teor de matéria seca variando entre 7 e 12%, conservam-se melhor do que outros materiais que possuem teores menores, como é o caso das cultivares dos grupos Granex e Grano, que possuem matéria seca entre 4 e 6%.
Para cebolas armazenadas em sacos ou caixas, a circulação de ar deve ser otimizada a fim de que a troca de calor entre os bulbos e o meio refrigerante seja a melhor possível. Cebolas armazenadas em sacos têm a vida de prateleira reduzida para em torno de um mês, uma vez que o movimento de ar através dos sacos é insuficiente para manter as condições ótimas de armazenamento.
O uso de hidrazida malêica, apesar de toda controvérsia que existiu em torno do produto, principalmente em relação ao seu potencial cancerígeno, é recomendado para a prevenção de brotamento durante o armazenamento prolongado. O produto deve ser aplicado duas semanas antes da colheita quando os bulbos estão maduros e 50% das plantas já estalaram. Todavia, é recomendado que a planta ainda possua de 5 a 8 folhas verdes, fisiologicamente ativas, de tal forma a permitir que o produto seja absorvido e translocado até os bulbos.
Comercialização
A comercialização da cebola em nível de atacado se dá em sacos de aniagem ou de nylon de 20 kg. Em nível de varejo, o produto é normalmente exposto à granel. Supermercados de regiões mais nobres estão iniciando a prática de embalar 6 a 8 bulbos, de tamanho e coloração uniformes, em bandejas de poliestireno envoltas com filme de PVC, agregando informações como procedência, nome da cultivar, composição nutricional e, em alguns casos, até receitas. Em ambas situações, deve-se evitar o transporte e o armazenamento de cebolas juntamente com outros produtos, que podem absorver o odor da cebola.
Processamento da cebola
Dentre os principais processos associados à industrialização da cebola encontram-se o processamento mínimo, a desidratação, a liofilização e a produção de conservas. Os principais passos do processamento mínimo são a escolha da matéria prima e cuidados no pré-processamento, pré-lavagem, sanitização, enxágüe, processamento (corte, descasque, fatiamento), centrifugação, embalagem, armazenamento e comercialização. A desidratação consiste na redução no conteúdo de água livre do produto, sem prejudicar sua qualidade para os usuários. A cebola desidratada tem seu consumo centrado na fabricação de molhos, temperos (catchup, maionese), sopas instantâneas, embutidos de carne e enlatados, assim como na preparação de pratos por cozinhas institucionais e industriais. O escurecimento é o principal problema da cebola desidratada durante o armazenamento. A liofilização é o método mais avançado de secagem, pois permite a desidratação do produto, com um mínimo de prejuízo à sua qualidade. Baseia-se na possibilidade de sublimação da água do produto congelado. É um dos mais caros processos e seus produtos exigem conservação especial, dada a capacidade de absorção de umidade do ambiente pelos mesmos.
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Cenoura

Aqui vai algumas informacoes sobre uma a cenoura muito plantada na regiao de irece:
Informações sobre a Cenoura, características, vitaminas, benefícios e propriedades
CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA
Reino: PlantaeDivisão: MagnoliophytaClasse: MagnoliopsidaOrdem: ApialesFamília: ApiaceaeGénero: DaucusEspécie: D. carota INFORMAÇÕES
A cenoura é uma raiz de cor alaranjada.
Este legume é riquíssimo em betacaroteno, um elemento importante para a visão. Além disso, o betacaroteno é importante para a pele e as mucosas.
Possui também as seguintes vitaminas: A, C, B2 e B3.
Fósforo, potássio, cálcio e sódio são os sais minerais presentes na cenoura.
A cenoura possui também uma boa quantidade de fibras.
Embora encontramos a cenoura durante todo o ano, o período de safra vai de julho a janeiro.
É muito utilizada na culinária em saladas, bolos, sucos, cremes, refogados e purês.
Não é um alimento muito calórico, pois cada 100 gramas de cenoura possui apenas 40 calorias.